Ensaios psicanaliticos

Name: Winter

Saturday, October 07, 2006

Minha busca é por amor.
Meu único amor. Meu próprio amor
que se perdeu entre um coração e outro
no frio da madrugada.

Wednesday, September 27, 2006

A dor abre espaço nas minhas entranhas para caber mais amor

Quando eu morrer, meu corpo se partirá em dois; e sangrarei para poder amar a Terra

Sunday, August 06, 2006

Céu estrelado

Corre corre que a vida não pára e se o trem já passa é para não voltar o mesmo, e o rio que corre vale abaixo transforma ao vale e a si mesmo e vale a pena viver agora, se não agora então quando? Sorria, menina, para o sol que desponta agora no horizonte e até o sol já não é o mesmo, viste, que este tom de dourado é mais dourado que outrora, sorria sempre e veja se não chora mais que a vida é boa (mas tudo passa!) e quando não passa já não é boa pois não renova então não é vida.
Invente uma cara nova, empunhe a espada e lance a chama ao infinito, e lá no alto verás queimar uma estrela tão bonita à qual gostarás chamar de amiga, uma luz nascida de si mesma que brilhará ao alto dia a dia, e lembrarás de que és mãe de muitas luzes e tuas lágrimas não são senão sóis da tua alma que ardem na imensidão do universo...

Obrigada por me fazer sentir a mim mesma...
(...)

Monday, July 31, 2006

Caixa de surpresas

Se entro é para ficar. Se saio... não volto. Não hoje, não antes de deixar uma ponta de saudade. Não antes de gerar intriga.
Se quero, é de uma vez. Não há meias palavras; as palavras-meias são mais que completas. E palavras somente são por demais incertas, quando tem uma alma por trás oculta e doida por ser descoberta.
Cansei de esperar o trem, vou-me a pé. Mesmo que me doa, ou quase exatamente porque me doerá. O caminho das pedras traz mais calos e histórias. E as histórias podem nos trazer revolta, e quem sabe um dia voltemos pra casa. Não sei. Para mim por enquanto a via é de ida, e olho para o alto e sem virar pra trás... certo que tropeço....
Mas afinal as linhas escritas servem para reafirmar o desejo do que não foi vivido, e a verdade mora muito além de onde viajo em meus sonhos. A verdade, na verdade, está muito mais debaixo de nossos narizes.
Às vezes tão perto que sinto pungente seu odor fétido. Às vezes, contudo, é um odor que me desperta.
A criação vira então quase um escape da própria vida... e cascas furadas que somos, volta e meia acabamos chorando por amores intangíveis...

Sem mais choradeiras...

Sunday, July 30, 2006

Dois acordes dissonantes vespertinos, desatinos fluidos de uma noite sem lua, a tua pele atrai e repele à minha; e à espinha que estremece às injúrias tuas.

À lua, sou eu quem canta; ao vento sou eu quem grita. Aos gritos, sou eu quem clamo por uma dança infinita - e que infinita seja, enquanto dure.

Wednesday, July 26, 2006

Discursos insones

Antes que a porta se feche, ainda há formas de desvendar como viver pela fresta. Da morte ninguém foge; do karma ninguém corre. Da cama, ninguém no fundo gosta. Lembra a inércia. Lembra o ócio, lembra o não pertencer.

Mas pertencer a onde, se neste mundo nada é de ninguém e nada dura mais que um segundo. E depois outro segundo. E depois outro. Tateamos e costuramos toscamente uma unidade entre a sequência dos segundos à qual chamamos então de vida. E passamos tantos segundos em costurar, lembrar, limpar as prateleiras e arrumar as gavetas... em que segundo mesmo vivemos?

Em que segundo mesmo respiramos? Lembro-me de ter respirado por vontade própria faz mais de uma semana atrás. Hoje em dia já vou no automático, e automaticamente galgamos nossa ida para a fonte, para a morte. Como fizeram nossos ancestrais. Como farão também um dia nossos filhos.

Talvez a lição para eles seja lembrar-se de olhar para as estrelas à noite. Dormirem em paz. Talvez ainda essa seja a lição para nós.

Saturday, July 08, 2006

O visitante desconhecido

Estou assim cansada, acomodada, e você aparece assim sem avisar, me bate à porta? Atendo, cordial e cordata, não percebo a sua agenda oculta. Quer um chá, um café ou biscoito? Estou exaurida para falar de assuntos sérios, porém você não chegou para falar. Você não veio sequer para me agradar, senão para me jogar à cara a sujeira escondida debaixo do tapete, a barata morta atrás da porta, as lembranças ocultas guardadas no fundo do armário. Veio para me mostrar que o banheiro está sujo, o guarda-roupas está abarrotado e o sótão está mofando as memórias nobres. Veio para me mostrar as fotos velhas, os hábitos velhos, os vícios nocivos e a morbidez do meu sábado.

Veio para me levar à frente do espelho e me mostrar em mim os rasgos de minha avó, de minha bisavó, e da mãe de minha bisavó. Veio mostrar as minhas rugas, as minhas verrugas, as minhas feridas nas mãos. Para mostrar que nada será para sempre, e que você é o guardião da roda.

Veio me fazer a sangria e curar a minha alma.

E de fato você vai embora ao final do dia, sem grandes apegos nem palavras, embora me deixaste a sensação de plenitude que causaste em sua visita inesperada.

Saturday, July 01, 2006

Ensaio para recuperaçao 2

Sobre o que faço da vida. Sobre o sentido que tem o trabalho; forma de fuga do próprio interior ou de expressão. Sobre o que sinto. Sobre como em um dado momento o território torna-se tenso, silencioso e sinto nao poder ir mais fundo quando se trata de mergulhar no outro, ou transpor esse muro de gelo onde se escondem as minhas feridas mais profundas, estas que mal as conheço, enclausuradas por vontade própria num trono interno de poder.

Sobre enfrentá-las, sobre a coragem da poesia, encarar a estas feridas que sou eu mesma e que me matarão se continuar a fazer vistas grossas. Sobre destronar o rei, tomar a espada na mão e fazer a revolução interna.

Sobre querer. Sobre virar o meu mundo do avesso simplesmente porque tenho motivos. Sobre quais são os meus motivos, sobre onde mora meu coração que anda meio nômade ultimamente, sobre onde ele se realiza e encontra-se pleno. Sobre o si mesmo.

Sobre mim mesma. Sobre sair do inferno para tomar um lugar ao sol, e nao tornar a voltar, quer seja por vício, quer seja por querer ser a vítima, ou quer seja por sonhar com um resgate mágico, porque este veio e foi frustrado, e provavelmente não virá. Sobre a consciência de que tenho pés, e tenho braços, e em algum lugar da alma talvez ainda tenha sonhos.

Sobre sonhos. Sobre a sabedoria infinitamente superior do conhecimento intuitivo sobre essa estatística burra com a qual suportamos a nossa infelicidade, e juramos ser tudo um acaso triste do universo, se sabemos sermos maiores que isso.

Sobre viver. Sobre usar minha energia para plantar sonhos e colher paraísos, sobre sair para tomar um lugar ao sol, sobre viver num lugar ao sol. Sobre o sol.

Thursday, June 29, 2006

Ensaio 1

Ensaios psicanalíticos 1
- Eu vim aqui duas vezes, e parei à porta. Não sabia se batia... e agora criei coragem, e resolvi entrar.- (Diga, o que você precisa?)- Eu não tenho certeza. Não tenho nada, não sou louca, juro. Só queria conhecer, achei que seria legal conversar...- (Sente-se, vamos conversar. Quem é você?)- Sou uma mulher jovem e bem sucedida. Não tenho motivos para me sentir estranha, entretanto me sinto.- (Você sabe me explicar melhor esse sentimento?)- Nao sei, já pensei a respeito e quanto mais penso, mais vago fica, mas acho que é uma sensação de que teria algo mais importante para fazer, só não sei muito bem o quê.- (O que você gostaria de fazer, que não faz)- Ah, talvez, viajar, ter filhos. Talvez entrar num curso de dança. Tenho muitas vontades, de aprender muitas coisas, e depois passa. Compro muitos livros, e não os leio. Compro muitas coisas que não uso..- (Você procura preencher seu tempo livre como pode, para fugir dessa sensação de tédio...)- E me enlouqueço quando estou sozinha. Preciso ter algo que fazer, alguem para conversar. Hoje, percebi que precisaria procurar um amigo, mas não tenho bem em quem confie... então vim aqui, falar com alguém anônimo..- (O que você costuma sentir quando está sozinha?)- Um certo desespero. Me sinto sem chão, preciso desabafar...- (Você não tem alguém em quem confie..)- Certo. É, verdade, não sou de desabafar, mas preciso ter quem me distraia.- (Distrair de quê? De quê você tem medo?)- ...- (...)- De que eu vá viver e morrer assim, solitária. - (E porque a solidão te incomoda tanto? No final das contas, todos passamos pela morte sozinhos)- Tenho a esperança de que a vida faça algum sentido; se não faz para mim, que a minha vida possa fazer para alguém.- (Sentido para a vida somos nós quem criamos. O que você gostaria que permanecesse seu aqui no mundo?)- Queria poder ensinar algo de importante para as pessoas...- (Porque 'queria'? Não quer mais?)- Quero, é que não sei se posso...- (Como não sabe? Já tentou?)- Não, nunca. Não sei nem o que é importante em minha própria vida...- (Tem alguma paixão? algo pelo que morreria?)- Não.- (...)- (Você disse que talvez gostaria de ter filhos. O que você mais gostaria de ensiná-los?)- A serem justos e honestos. A acreditarem em si e no poder de sua boa vontade, e que com trabalho e esperança é possível fazer um mundo um pouco melhor.- (Não seria então isso o que gostaria de ensinar aos outros?)- Sim, mas é difícil alguém que queira aprender.- (Você mesma sabe para si o que gostaria de ensinar aos outros?)- ...- (Pense nisso.)