Sobre o que faço da vida. Sobre o sentido que tem o trabalho; forma de fuga do próprio interior ou de expressão. Sobre o que sinto. Sobre como em um dado momento o território torna-se tenso, silencioso e sinto nao poder ir mais fundo quando se trata de mergulhar no outro, ou transpor esse muro de gelo onde se escondem as minhas feridas mais profundas, estas que mal as conheço, enclausuradas por vontade própria num trono interno de poder.
Sobre enfrentá-las, sobre a coragem da poesia, encarar a estas feridas que sou eu mesma e que me matarão se continuar a fazer vistas grossas. Sobre destronar o rei, tomar a espada na mão e fazer a revolução interna.
Sobre querer. Sobre virar o meu mundo do avesso simplesmente porque tenho motivos. Sobre quais são os meus motivos, sobre onde mora meu coração que anda meio nômade ultimamente, sobre onde ele se realiza e encontra-se pleno. Sobre o si mesmo.
Sobre mim mesma. Sobre sair do inferno para tomar um lugar ao sol, e nao tornar a voltar, quer seja por vício, quer seja por querer ser a vítima, ou quer seja por sonhar com um resgate mágico, porque este veio e foi frustrado, e provavelmente não virá. Sobre a consciência de que tenho pés, e tenho braços, e em algum lugar da alma talvez ainda tenha sonhos.
Sobre sonhos. Sobre a sabedoria infinitamente superior do conhecimento intuitivo sobre essa estatística burra com a qual suportamos a nossa infelicidade, e juramos ser tudo um acaso triste do universo, se sabemos sermos maiores que isso.
Sobre viver. Sobre usar minha energia para plantar sonhos e colher paraísos, sobre sair para tomar um lugar ao sol, sobre viver num lugar ao sol. Sobre o sol.